Krum - Projeto | companhia brasileira de teatro
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Krum – Projeto

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Justificativa | O Autor

Em Processo de Criação 

Durante dois anos, aproximadamente, a atriz  Renata Sorrah, o diretor e dramaturgo Marcio Abreu e a Companhia Brasileira de Teatro, realizaram juntos um trabalho de pesquisa sobre a obra de Joël Pommerat, autor francês, até aquele momento inédito no Brasil, para a montagem da peça Esta Criança, que estreou no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro em outubro de 2012, recebeu diversos prêmios e indicações.

Esta foi a primeira parceria entre a atriz, o diretor e a companhia. A convivência criativa e as inúmeras ações que envolveram o projeto, como as leituras públicas, os debates e o intercâmbio com outros artistas da cidade do Rio de Janeiro, motivaram o desejo de um novo projeto que desse sequência às questões artísticas e ideológicas trabalhadas anteriormente. A escolha foi, igualmente, por um texto contemporâneo ainda inédito no país. Nossa segunda parceria é selada, portanto, com o projeto que apresentamos agora: KRUM, do autor israelense HANOCH LEVIN.

A opção por montar esta peça, baseia-se na continuidade da pesquisa dramatúrgica da Companhia Brasileira, que, além de encenar textos de autoria própria, escritos simultaneamente aos processos de criação dos espetáculos, trouxe à cena, assim com fez a atriz Renata Sorrah em diversas ocasiões, obras de importantes autores do teatro mundial ainda inéditos no nosso país. Essa pesquisa relaciona o trabalho do ator e da cena às estruturas da escrita teatral, buscando potencializar a relação entre atores e público, intensificando o momento único de encontro que é o teatro. Qual o lugar do teatro hoje? Para quem? Que ator para qual dramaturgia? Como construir obras de arte sensíveis à percepção de um público plural, diverso ou em formação, sem abrir mão de um alto nível de elaboração ética e estética? Estas são algumas das muitas questões deste trabalho.

O texto de Levin dialoga diretamente com essas questões, servindo bem aos propósitos norteadores da nossa pesquisa, que serão a base do processo criativo. É popular, fala direto às pessoas do nosso tempo, sem a prioris, sem julgar percepções ou sensibilidades, mas, ao mesmo tempo, tem um acabamento formal sofisticado, permeável, sugerindo uma linguagem potente, em que forma e conteúdo são indissociáveis. Está alinhado aos debates sobre as relativizações do drama e a expansão dos sentidos no teatro contemporâneo.

Uma sucessão de cenas curtas, de ritmo intenso, mostra um lho que, depois de partir para “ganhar o mundo”, volta sem nada para a casa da mãe, para o bairro onde nasceu, e reencontra as pessoas e as circunstâncias que havia deixado, sem grandes mudanças. Com humor ácido e lirismo pungente, apresenta um rol de seres ordinários, medianos, envolvidos em questões aparentemente desimportantes e investidos em papéis sociais imutáveis, apesar das tentativas de deslocamento e de transformação. Os personagens habitam um bairro qualquer, como os outros, à imagem do mundo, na periferia de uma grande cidade, presos às próprias condições, num combate cotidiano pela existência. Esse combate ilustra o lado trágico de seus destinos, mas também sua dimensão cômica.

A peça é repleta de situações prosaicas elevadas ao patamar do absurdo. É sobre o fracasso e a precariedade de vidas mínimas voltadas para os pequenos desejos forjados pela sociedade de consumo. Levin nos convida a nos reconhecer nisso, a amar a parte de humanidade, de sonho, de fragilidade e de abandono que existe em seus personagens, que existe em nós. Uma mistura única de trivialidade e violência, mas também de afeto, de compaixão e de um pensamento longe de qualquer conformismo.

 

JUSTIFICATIVA

O projeto justifica-se pelo ineditismo e originalidade da proposta, ao apresentar pela primeira vez o texto do autor israelense Hanoch Levin no Brasil e por verticalizar o encontro artístico entre a atriz Renata Sorrah, o diretor Marcio Abreu e a Companhia Brasileira de Teatro.

Justifica-se ainda por apresentar desenvolvimento de linguagem à maior diversidade possível de público, conjugando refinamento conceitual e artístico com aspectos populares.

O caráter de pesquisa e risco deste trabalho torna fundamental a necessidade de investimento público e de estímulo ao desenvolvimento do teatro de arte, que não visa lucro em primeira instância, mas sim aprimoramento profissional, dimensão social e crítica, expansão da sensibilidade e fortalecimento de seus vínculos com o público.

A peça aborda com humor, violência e lirismo, temas que estão em consonância com as inquietações e lacunas do nosso tempo, proporcionando reflexão e fruição sobre a vida ordinária, de pessoas comuns.

O projeto traz ainda o caráter de intercâmbio entre profissionais de diferentes cidades, estimulando o aprimoramento através do contato com realidades distintas, proporcionando divisas e a ampliação do seu alcance enquanto projeto artístico.

A execução deste projeto é favorecida, portanto, pelas circunstâncias demonstradas nas premiadas trajetórias da companhia brasileira de teatro, que tem vários anos de atividades contínuas em nível nacional e internacional e da atriz Renata Sorrah, parte importante da história recente do nosso teatro, responsável direta ou indireta por montagens antológicas de autores contemporâneos inéditos e de clássicos da dramaturgia mundial.

Essas circunstâncias revelam qualidade artística reconhecida, inovação, comprometimento social, contato permanente com a comunidade e ações artísticas contínuas estabelecidas.

 

O AUTOR

HANOCH LEVIN nasceu em Tel-Aviv, em 1943, morreu prematuramente de câncer em 1999. É autor de uma obra considerável que inclui esquetes, canções, prosa, poesia e mais de cinquenta peças de teatro, traduzidas e montadas em diversos países. Co-fundador da Associação de autores dramáticos israelenses, militou pela melhora do estatuto e dos direitos do dramaturgo no seu país.

Cresceu num bairro modesto. Seu pai, dono de armazém, morreu quando ele tinha 12 anos. Por isso, foi obrigado a deixar a escola. Terminou seus estudos trabalhando como entregador. Cresceu na Israel dos anos 1960, marcada pelas diferenças entre os nascidos no país e os imigrantes, os ricos e os pobres, os judeus e os árabes.