PROJETO bRASIL - Imprensa | companhia brasileira de teatro

PROJETO bRASIL – Imprensa

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 Projeto | Circulação | Pesquisa | Seminários | Leituras 

Dois anos de estrada com apresentação de peças do repertório, realização de seminários, troca de informações, palestras, experiências, leituras e vivências junto ao público formam a matéria-prima que construiu o novo espetáculo da companhia brasileira de teatro. O projeto brasil , patrocinado pela Petrobras, teve estreia nacional no Rio em outubro de 2015, numa temporada de um mês no Mezanino do Espaço SESC. Com direção de Marcio Abreu, traz no elenco os atores Giovana Soar, Nadja Naira e Rodrigo Bolzan e o músico Felipe Storino.

E desse mosaico construiu-se o espetáculo, primeiro módulo de um trabalho que prossegue. É, portanto, o resultado de uma intensa programação de pesquisa nas cinco regiões do país, que gerou um conjunto de performances. A criação coletiva que é o projeto brasil reflete o material recolhido pelos integrantes da companhia em circunstâncias variadíssimas, desde as apresentações clássicas até seminários e experiências pelas ruas das cidades brasileiras. O resultado está entrelaçado nas sequências que apresentam desde falas do ex-presidente do Uruguai José Mujica e da ministra francesa Christiane Taubira até performances que incluem a participação do público.

São cenas independentes, em formatos diversos, que privilegiam ora a fala, ora a música, o corpo, a luz – como define Marcio Abreu, “discursos”. “Mas não são discursos unívocos, nem iguais na forma”, diz o diretor. “É um conjunto bem heterogêneo que inclui palavra, performance, música, teatro. É mais sensorial do que narrativo; convoca, implica, provoca”. E esses artistas que se deixaram afetar pelos encontros com outros artistas brasileiros e com o público teatral, pela vivência espontânea, pelos muitos materiais, pensamentos e ações produzidos nesse trajeto trazem ao palco esse primeiro desdobramento da experiência. Não se trata, reitera Abreu, de um retrato documental, mas sim da reverberação artística da experiência.

Assumindo os riscos de criar um espetáculo a partir do olhar para o país num momento como o de hoje, a companhia brasileira de teatro se dedicou à tarefa com o rigor técnico, o apreço pela pesquisa e a inquietação que lhe são peculiares. As rotas percorridas, as situações vividas, histórias e bibliografias lidas, o caminho foi aos poucos sendo construído. “Desde o começo não queríamos falar explicitamente sobre o país”, conta o diretor Marcio Abreu.

“Com o decorrer do trabalho, isto se concretizou: falar sem falar expressamente, tratar de outras coisas para tratar do Brasil. Esta outra dimensão de trabalho é um reflexo também da impossibilidade de falar sobre o país, num momento onde as coisas ainda estão acontecendo, numa velocidade muito grande”. A impossibilidade de dar conta de tudo por meio da palavra também refletiu no formato do espetáculo, com uma aproximação no rumo de outras formas de expressão como a performance.

PROJETO bRASIL nasceu da inserção do grupo na seleção pública de Manutenção de Companhias de Teatro da Petrobras, que concede patrocínio por três anos para pesquisa, montagem e circulação. “No primeiro ano, fizemos uma circulação com as cinco peças do nosso repertório pelas cinco regiões do Brasil”. Nesse período, dedicaram-se à troca de informações com artistas e anônimos, plateias e transeuntes.

Com essa nova montagem, a companhia brasileira de teatro delineia novos rumos, de recriação da sua dramaturgia já muito particular, desde os ensaios até a montagem, afirmando-se em um novo desafio de linguagem. A partir deste trabalho, a companhia pretende dar novos desdobramentos aos conteúdos do projeto brasil, com a possibilidade de partes da obra ganharem autonomia, podendo ser utilizadas como ponto de partida para outras ações e desdobrando-se em debates e encontros, por exemplo.

A MONTAGEM

O preto sobre o preto está em cena, e num sobrepalco redondo se instala uma floresta de microfones – alguns são utilizados, outros não -, como se estivessem prontos para um discurso. E o discurso acontece, de fato, mas não da forma mais convencional.  É neste cenário que são realizadas as cenas independentes que compõem o projeto brasil. Há momentos de falas propriamente ditas, inspirados em discursos reais, mas há também textos próprios e cenas que buscam outras possibilidades de discurso. São tratados temas como política, igualdade, consumo exacerbado, economia de mercado, ética, o caráter descartável de tudo na nossa sociedade, a ânsia por compreender e se comunicar.  Outras questões remetem ao trabalho do grupo, como o papel do ator, do teatro e da arte.  Os figurinos, também em preto, remetem a um “fim de festa”, define Marcio.

Release por Luciana Medeiros com a colaboração de Fabiano Camargo.