Suíte 1 | companhia brasileira de teatro
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Suíte 1

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2004/2009

“Eu escuto muitas palavras cansadas,
sim cansadas! 
Eu escrevo contra isso!”
Philippe Minyana

 

SUÍTE 1 representou para nós, no princípio, um exercício de linguagem; resultou numa abordagem dessa inquietante dramaturgia, sem pretensões espetaculares ou determinantes em relação à obra. Uma obra que nos oferece um discurso atual, revelado numa seqüência condensada de frases curtas, interrompidas, repetidas e re-significadas numa espécie de partitura dramática e bem humorada do cotidiano. Em pouco mais de três semanas nos dedicamos a lidar com a palavra exata e musical de  Philippe Minyana.

SUÍTE 1 , escrito em 2002, faz parte de uma trilogia que inclui ainda as Suites 2 e 3.  Uma obra criada num contexto de pesquisa e observação do homem, que utiliza a reflexão estética e política e que parte dessa observação como matéria prima para a elaboração do texto. Não é propriamente a transposição da fala cotidiana para a cena, mas a recriação de sua sonoridade e força poética. Sobre isso, o próprio autor diz: “O teatro são, para mim, palavras que rolam, que fazem barulho…” ou “é o fraseado que me interessa(…) uma velocidade de execução(…) O que era interessante era(…) interpretar a partitura. Isto é, não interpretar o sentido, mas a música, a rapidez.” Porque o sentido nasce precisamente  desse desfile de palavras alinhadas, não hierarquizadas, a imagem exata da banalidade das vidas que elas restituem. “Eu digo freqüentemente aos atores que eu uso o ‘falar da mulher da padaria, esse fluxo incessante de palavras sempre idênticas, sempre inúteis, mas no qual, de repente, pode-se identificar a presença de objetos concretos, fatos reais reconhecíveis. E a diarréia verbal reveste-se de repente de um peso e de uma verdade brutais.

Nessa perspectiva, SUÍTE 1 propõe a insistente convivência de um homem e cinco mulheres em situações alternadas e numeradas de conversa e refeição, nas quais buscam restituir à memória os fatos de um passado comum. Essas figuras, porta-vozes do texto, reafirmam a própria existência em meio a aparente banalidade de suas vidas. Sobre a idéia de personagem na obra de Minyana, o teórico francês Michel Corvin diz: “não são mais os donos e senhores de uma linguagem que os exprime. Eles não são anteriores a sua palavra. Eles se fazem falando (…) Eles começam a existir com a primeira palavra que pronunciam e desaparecem, como em Beckett, com a última.

Marcio Abreu

Curitiba, fevereiro de 2005

 

* Peça especialmente criada para a Semana da França em Curitiba PR, promovida pela Aliança Francesa, 2008.

** A tradução da peça, feita por Giovana Soar especialmente para a montagem, foi lançada em 2008 na coleção Palco Sur Scène publicada pela Imprensa Oficial de São Paulo em parceria com o Consulado Geral da França e a Aliança Francesa.