Apenas o fim do mundo | companhia brasileira de teatro
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Apenas o fim do mundo

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2006/2007         

“Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta”.
Camille Claudel
 
 “Devemos conservar no centro do  nosso mundo o lugar das nossas incertezas,
o lugar da nossa fragilidade, das nossas dificuldades em dizer e ouvir”.
Jean-Luc Lagarce

Um homem, ausente há bastante tempo, retorna à casa da família para dar a notícia de sua morte próxima. Este é o argumento de Apenas o fim do mundo, talvez a peça mais íntima de Lagarce. O deslocamento, a viagem, o retorno identificam-se como temas reincidentes em sua obra, assim como a ausência, a morte, o amor. A construção da obra também é tema, ou seja, a forma que determina a escrita é também conteúdo, e esta forma revela a fala insistente e reiterada de pessoas tentando se fazer entender, tentando dizer o que não foi dito.

 (…)

Há tempos estamos mergulhados num rumor de discursos jogados às feras e não ouvimos nada. E penso que o melhor de tudo e o que anima a seguir é encontrar ecos, ressonâncias e ruídos comuns em alguma parte. Alguém que sinta a mesma coisa e que te faça sentir a ilusão de estar menos só e que te promova a sensação de pertencer, de estar presente e não apenas tentando gritar no deserto. Nosso individualismo pós-moderno envelheceu, ficou mais estúpido. O tempo é curto e “o mundo já não importa se não tivermos forças pra continuarmos escolhendo algo verdadeiro”, se não tivermos a capacidade de fazer ressoar alguma voz que se escute, se não dermos algum sinal de vida “inútil”, sensível, que existe no movimento em direção ao outro, apenas isso.

Marcio Abreu

Curitiba, 01 de junho de 2006

 

* A tradução da peça, feita por Giovana Soar especialmente para a montagem, foi lançada em 2006 na coleção Palco Sur Scène publicada pela Imprensa Oficial de São Paulo em parceria com o Consulado Geral da França e a Aliança Francesa.