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Na adaptação da companhia brasileira de teatro, a história não se desenrola num lugar definido, tampouco na época em que foi escrita. Ambientada numa propriedade rural de uma jovem viúva, a história se passa durante uma grande festa, na qual está presente Platonov, um aristocrata falido. Ele se tornou professor, por despeito e para camuflar sua revolta contra seu falecido pai e a sociedade. Bem articulado, brilhante e sedutor, ele é admirado e invejado. Seu reencontro com Sofia, um amor de juventude, reaviva seu desespero.

A peça trata de temas recorrentes na obra de Tchekhov, como o conflito entre gerações, as transformações sociais através das mudanças internas do indivíduo, as questões do homem comum e do pequeno que existem em cada um de nós, o legado para as gerações futuras – tudo isso na fronteira entre o drama e a comédia, com múltiplas linhas narrativas. “É o primeiro texto de Tchekhov, um texto muito jovem, mas muito revisitado em diversos países porque tem nele o que depois vem a ser o cerne do Tchekhov”, diz o diretor.

Da obra Platonov, de Anton Tchekhov

Direção: Marcio Abreu

Assistência de Direção: Giovana Soar e Nadja Naira

Elenco: Camila Pitanga, Cris Larin, Edson Rocha, Josi Lopes, Kauê Persona, Rodrigo Bolzan, Rodrigo Ferrarini e Rodrigo dos Santos

Adaptação: Marcio Abreu, Nadja Naira e Giovana Soar

Tradução: Pedro Augusto Pinto e Giovana Soar

Direção de Produção: José Maria

Produção Executiva: Cássia Damasceno

Iluminação: Nadja Naira

Trilha e efeitos sonoros: Felipe Storino

Direção de movimento: Marcia Rubin

Cenografia: Marcelo Alvarenga | Play Arquitetura

Figurinos: Paulo André e Gilma Oliveira

Direção de arte das projeções: Batman Zavareze

Edição das imagens das projeções: João Oliveira

Câmera: Marcio Zavareze

Técnico de som | projeções: Pedro Farias

Assistente de câmera: Ana Maria

Operador de Luz: Henrique Linhares

Operador de vídeo: Marcio Gonçalves

Operador de som: Mauricio Chiari

Montagem: Iuri Wander, Antônio Lima, Cláudio Roberto , Luciane Silva, Paulo Rodrigues, Elizeu Paiva

Máscaras: José Rosa e Júnia Mello

Fotos: Nana Moraes

Programação Visual: Calma, Joana

Assessoria de Imprensa: Bianca Senna e Paula Catunda

Difusão Internacional: Carmen Mehnert | Plan B

Produção: companhia brasileira de teatro

Patrocínio: Banco do Brasil

Realização: Centro Cultural Banco do Brasil e Governo Federal

companhia brasileira de teatro

Direção de Produção: Giovana Soar e José Maria

Administrativo e Financeiro: Cássia Damasceno

Assistente Administrativo: Helen Kaliski

# Indicações Prêmio Shell Rio de Janeiro 2019

Direção – Marcio Abreu
Cenário – Marcelo Alvarenga (Play Arquitetura)

#Indicação Prêmio CESGRANRIO Rio de Janeiro 2019

Direção – Marcio Abreu

# Destaques Observatório de Teatro – primeiro semestre 2020

Desenho de luz – Nadja Naira
Cenografia – Marcelo Alvarenga
Figurino – Paulo André e Gilma Oliveira
Direção musical e trilha – Felipe Storino
Direção – Marcio Abreu
Atriz – Camila Pitanga
Espetáculo

# de 20 de Maio a 12 de Junho de 2022 – temporada SESC Santo Amaro – São Paulo SP

# 09, 10, 11 e 12 de Dezembro de 2021 – apresentações Teatro de Santa Isabel – Recife PE

# 11, 12 e 13 de Dezembro de 2020 – apresentações ON LINE no Youtube da companhia

# Março de 2020 – final de temporada cancelada por causa da Pandemia de COVID 19

# de 14 de Fevereiro à 01 de Março de 2020 – temporada Teatro Cacilda Becker – São Paulo

# de 12 à 29 de Setembro de 2019 – temporada CCBB Brasília

# de 18 de Outubro à 18 de Novembro de 2019 – temporada CCBB Belo Horizonte

# de 03 de Julho à 18 de Agosto de 2019 – temporada de estreia CCBB Rio de Janeiro

Por que Tchekhov?

Desde 2009 temos o projeto de montar uma peça a partir desse jovem e inacabado texto.

Tchekhov sempre foi para mim, desde muito cedo, uma fonte de aprendizado, de expansão da linguagem, de refinamento das sensibilidades e de conexão com os movimentos do tempo.

Diversas circunstâncias fizeram com que hoje, dez anos depois, estejamos aqui colocando a peça de pé. E nos parece bastante apropriada em contato com os dias que vivemos. Em praticamente toda a sua obra, esse jovem autor – foi sempre jovem, já que morreu aos 44 anos – abordou um mundo em vias de desaparecimento e um porvir ainda incerto. Escreveu pessoas. Escreveu convivências. Estados de espírito, permanências, tentativas de fuga, silêncios. Escreveu fracassos. Belezas mínimas e escondidas. Escreveu o pequeno de cada um, o homem pequeno, aquele que não está no centro, o desvio, as paisagens sonhadas. Olhou para o agora com extrema agudeza e generosidade. E ainda olha. Seu olhar crítico se renova a cada momento da história, se ressignifica à luz dos acontecimentos e no calor da hora .

Tchekhov é sempre uma espécie de lugar para onde retornar, onde podemos nutrir nossa alma, reavivar nosso espírito, tonificar nossos músculos, reaprender a ouvir. De tempos em tempos, voltar a ele tem sido motivo para continuar. A grande poesia do mundo. Essa, que nos lembra que ainda estamos aqui.

Nossa peça é atravessada pelas vibrações de um grupo de artistas e vozes que fazem dessa experiência um momento potente de encontros e de convivências. Trabalhar horas a fio com essas mulheres e esses homens, cultivando o ofício, construindo passo a passo, duvidando, fazendo perguntas, alimentando a coragem e gosto pelo que ainda não sabemos, tem sido motivo de felicidade em dias tão duros como os de hoje. Agradeço infinitamente a cada uma, a cada um.

Tchekhov foi um trabalhador, assim como nós, artistas brasileiros. Recusou durante toda a sua vida a mentira e a violência, preferindo sempre o amor e a liberdade. Lutou, se valendo das palavras e do próprio corpo, por um mundo melhor.

Marcio Abreu

Rio, 26 de junho de 2019


SEM TÍTULO

Na verdade não existe nenhuma obra de Tchekhov intitulada “Platonov”. Tchekhov não havia ainda dado um título a esta peça quando a escreveu no inverno de 1878, com apenas 18 anos. 

Em 1920 um manuscrito foi encontrado nos arquivos do Estado no cofre de um banco em Moscou. Eram onze cadernos manuscritos, sendo que no primeiro faltavam duas páginas (do ato I) e a capa. O texto tinha cortes e anotações nitidamente feitos em três épocas diferentes, e possuía o dobro da sua duração atual. Esta peça, portanto, sempre foi um esboço, nunca tendo sido finalizada pelo autor. 

Após receber críticas de seu irmão Alexandre e de ter sido recusada pela atriz M. N. Ermolova, Tchekhov engavetou esta peça, e ela ficou ali esquecida.

Em uma carta a seu irmão Alexandre, datada de 14 de outubro de 1878, encontramos referência a um texto chamado “bezotsovchtchina”, neologismo quase intraduzível, que significa aproximadamente a idéia de: “A ausência de Pai; Sem Pai; Ser sem Pai”.Este podendo ser o seu título original, mas não há certezas.

Esta primeira peça de Tchekhov é considerada uma obra inaugural, uma obra precursora, obra reveladora de um teatro por vir e de mudanças sociais que ela já apontava como necessárias. Como um estado pré-revolucionário.

Muitas vezes intitulada pelo nome do personagem central “Platonov”, esta peça teve sua primeira montagem no Ocidente em Paris, em 1956, encenada por Jean Vilar. Depois disso foi encenada por inúmeros diretores em incontáveis países, recebendo vários títulos diferentes. No Brasil teve apenas uma encenação em 1980, realizada por Maria Clara Machado e seus alunos.

A companhia brasileira de teatro, apresenta a adaptação deste texto fundamental da obra de Tchekhov com o título “Por que não vivemos?”. Esta adaptação foi realizada a partir da tradução do original russo, feita por Pedro Augusto Pinto, e retrabalhada a partir das versões francesas de André Markowicz e Françoise Morvan, de Elsa Triolet e de Pol Quentin.

Giovana Soar

Rio, junho de 2019

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