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SUÍTE 1 representou para nós, no princípio, um exercício de linguagem; resultou numa abordagem dessa inquietante dramaturgia, sem pretensões espetaculares ou determinantes em relação à obra. Uma obra que nos oferece um discurso atual, revelado numa seqüência condensada de frases curtas, interrompidas, repetidas e re-significadas numa espécie de partitura dramática e bem humorada do cotidiano. Em pouco mais de três semanas nos dedicamos a lidar com a palavra exata e musical de  Philippe Minyana.

SUÍTE 1 , escrito em 2002, faz parte de uma trilogia que inclui ainda as Suites 2 e 3.  Uma obra criada num contexto de pesquisa e observação do homem, que utiliza a reflexão estética e política e que parte dessa observação como matéria prima para a elaboração do texto. Não é propriamente a transposição da fala cotidiana para a cena, mas a recriação de sua sonoridade e força poética. Sobre isso, o próprio autor diz: “O teatro são, para mim, palavras que rolam, que fazem barulho…” ou “é o fraseado que me interessa(…) uma velocidade de execução(…) O que era interessante era(…) interpretar a partitura. Isto é, não interpretar o sentido, mas a música, a rapidez.” Porque o sentido nasce precisamente  desse desfile de palavras alinhadas, não hierarquizadas, a imagem exata da banalidade das vidas que elas restituem. “Eu digo freqüentemente aos atores que eu uso o ‘falar da mulher da padaria, esse fluxo incessante de palavras sempre idênticas, sempre inúteis, mas no qual, de repente, pode-se identificar a presença de objetos concretos, fatos reais reconhecíveis. E a diarréia verbal reveste-se de repente de um peso e de uma verdade brutais.”

Nessa perspectiva, SUÍTE 1 propõe a insistente convivência de um homem e cinco mulheres em situações alternadas e numeradas de conversa e refeição, nas quais buscam restituir à memória os fatos de um passado comum. Essas figuras, porta-vozes do texto, reafirmam a própria existência em meio a aparente banalidade de suas vidas. Sobre a idéia de personagem na obra de Minyana, o teórico francês Michel Corvin diz: “não são mais os donos e senhores de uma linguagem que os exprime. Eles não são anteriores a sua palavra. Eles se fazem falando (…) Eles começam a existir com a primeira palavra que pronunciam e desaparecem, como em Beckett, com a última.”

Marcio Abreu

Curitiba, fevereiro de 2005

Direção Marcio Abreu

Elenco Ranieri Gonzalez, Christiane de Macedo, Chiris Gomes, Giovana Soar, Nadja Naira, Thais Tedesco


Texto Philippe Minyana

Tradução Giovana Soar

Iluminação Nadja Naira

Figurino Maureen Miranda

Cenário e trilha sonora Marcio Abreu

Direção de Produção Giovana Soar

# Março 2009, temporada no Teatro José Maria Santos, Curitiba PR

# Fevereiro 2009, temporada na Caixa Cultural de Brasília DF

# Janeiro 2009, temporada no Teatro Arena – Caixa Cultural Rio de Janeiro RJ

#  Maio 2007. Participa do ACTO I, encontro de teatro, com o Grupo Espanca! (MG) e o Grupo XIX de Teatro (SP),  em Belo Horizonte MG

#  Fevereiro 2007, temporada no Teatro da Caixa, Curitiba PR

# Janeiro 2006, temporadas no SESC Santana e no Instituto Cultural Capobianco – Teatro da Memória, na cidade de São Paulo SP

# Agosto 2005. Participa do Festival da Unipar de Umuarama, Paraná

# Julho 2005. Participa do Festival Internacional de São José do Rio Preto, São Paulo

# Maio 2005. Realização uma apresentação dentro do programa Teatro para o Povo, do Centro Cultural Teatro Guaíra, Curitiba PR

# Março 2005 participa do Festival de Teatro de Curitiba, dentro da Coletiva de Teatro do Fringe

# de março a maio 2005. Participa da Viagem Teatral Sesi  SP, cumprindo apresentações nas cidades do interior de São Paulo de: Santo André, Santos, Mauá, Sorocaba, Osasco, Araraquara, Rio Claro, Birigui, Franca e Marília

# Fevereiro 2005. Temporada de 15 dias no Espaço Sesc, Sesc Copacabana do Rio de Janeiro RJ

# Setembro 2004, ensaios abertos do espetáculo no Clube Curitibano e no Teatro Paiol de Curitiba PR

* Peça especialmente criada para a Semana da França em Curitiba PR, promovida pela Aliança Francesa, 2008.

Philippe Minyana é um dos mais importantes autores franceses contemporâneos, escreve para o teatro – e exclusivamente para o teatro – desde 1980. Desde então foi montado pelos mais renomados diretores, na França e no exterior. Seus mais de trinta textos já foram traduzidos para mais de vinte idiomas. Suíte 1, com a montagem da companhia brasileira de teatro, foi seu primeiro texto a ser traduzido, publicado e encenado no Brasil. Além de teatro e ópera, ele escreve também peças radiofônicas, roteiros para cinema e telefilmes. Sua obra já foi tema de ensaios para livros e filmes.

Dentre seus textos mais montados podemos citar: Inventaires, Chambres, Où va-tu Jérémie?, Drames Brefs (1 et 2), Anne-Laure et Les fantômes, La Maison des Morts…

** A tradução da peça, feita por Giovana Soar especialmente para a montagem, foi lançada em 2008 na coleção Palco Sur Scène publicada pela Imprensa Oficial de São Paulo em parceria com o Consulado Geral da França e a Aliança Francesa.

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